RENAN SANTOS
O que procuro em um vice-presidente?
Ou: o que aprendi em 2016
RENAN SANTOS
16 JUN. 2026

Nesse domingo, relançamos o documentário “Não Vai Ter Golpe”, que conta a história da luta pelo impeachment. Revendo todas aquelas memórias, não pude deixar de notar como estávamos à frente do nosso tempo. Muito do que dissemos e fizemos em 2015 e 2016 continua valendo hoje; minha pré-candidatura, dez anos depois, é um projeto de continuidade daqueles valores e daquele modo de fazer política: é nossa chance de continuar aquela Revolução, que foi tragicamente interrompida.
É sob a luz daqueles episódios que quero discutir uma questão fundamental. Nas últimas semanas, fomos vítimas de rumores infundados, nos associando a negociações com o PSDB de Aécio Neves e com o PSD de Ronaldo Caiado. Ambos foram personagens relevantes na jornada contra Dilma Rousseff. Aécio, inimigo do impeachment que podia pôr em risco suas pretensões eleitoreiras, foi ativamente nosso adversário; Caiado, por sua vez, tornou-se de pouco em pouco um fiel aliado, aderindo à nossa causa primeiro com timidez e depois com entusiasmo. Para deixar claro: não tive conversa alguma com Aécio ou com Caiado durante a pré-campanha. Mas a tendência, à medida que a Missão se consolide como alternativa real de poder, é que figuras como eles venham nos procurar com cada vez maior frequência. O que fazer nesse cenário?
Em 2016, nós entendemos que era impossível fazer o impeachment sem a adesão da classe política. A solução passava pelo voto de 341 parlamentares; um processo que excluísse os políticos simplesmente não tinha como dar certo. Nós topamos o risco. Tiramos até aquela derradeira foto com Eduardo Cunha (com o então deputado Jair Bolsonaro tirando uma casquinha no canto). Para vencer e melhorar o Brasil, sabíamos que seria preciso sujar as mãos.

Foto do dia em que entregamos o pedido de impeachment para Eduardo Cunha
Essa foto, é claro, não tornou as coisas mais fáceis. Cunha passou os meses seguintes usando nosso pedido de impeachment como barganha para negociar com o PT. Se não tivéssemos feito nosso trabalho e colocado milhões nas ruas, nada teria acontecido. Isso porque a tendência da classe política, especialmente sob o paradigma de 1988, é sempre a busca de acordos – “um grande acordo nacional, com o Supremo, com tudo” é o sonho deles, como revelou o famoso áudio de Romero Jucá. As lideranças do centrão fizeram de tudo para controlar a erupção popular. Primeiro, tentaram “estancar a sangria” com esse grande acordo. Depois, apostaram no tucanismo de Geraldo Alckmin. Por fim, cooptaram Bolsonaro, aproveitando-se da acusação de rachadinha contra Flávio para costurar o grande acordo dos sonhos que lhes permitiu enfim enterrar a Lava Jato e pausar a nossa revolução.
Foi nos quatro anos de 2019 a 2022, sob o governo Bolsonaro, que os três grandes vilões do país mais se fortaleceram: o Centrão ganhou o orçamento secreto e passou a controlar o governo com Ciro Nogueira na Casa Civil; o STF, posando de força de oposição, derrubou a Lava Jato e centralizou em si todos os processos contra políticos; e o PT comemorou a soltura de Lula, que em seguida voltaria à presidência.
Chegamos em 2026, portanto, no mesmo cenário que em 2016: com o PT no poder, um escândalo de corrupção de centenas de bilhões (primeiro o Petrolão; agora o Master) e o congresso controlado por políticos corruptos e vagabundos. Mas dessa vez tem uma diferença fundamental: nós, que lideramos a revolução de 2016, não tínhamos nenhum meio de ação política na época; agora, temos nosso próprio partido e uma pré-candidatura presidencial. Se eu vencer a eleição agora em outubro, vamos imprimir um novo modelo em Brasília: será o fim dos acordões e do troca-troca e o início de uma nova política, radicalmente reformista e verdadeiramente democrática – não a democracia de compra de votos que temos hoje.
Essa transformação ocorrerá em três etapas:
Aniquilar o crime organizado que ocupa nosso território e ameaça nossa soberania, usando todos os instrumentos disponíveis para destruir as facções e desfavelizar o país;
Fazer o Brasil crescer de novo, com reformas de competitividade, ajuste fiscal e, sobretudo, uso das nossas vantagens nacionais – o petróleo, o agro, a energia e as terras raras – para construir uma economia de classe mundial;
Reformar todo o sistema político, para que a boa gestão seja premiada e a má gestão e a corrupção sejam duramente punidas, a nível dos prefeitos, deputados e partidos.
Mas, assim como foi em 2016, a realidade é que, se queremos fazer essa transformação pela via institucional, teremos de trazer pelo menos parte da classe política para trabalhar conosco. Já declarei anteriormente qual seria nossa política de alianças com outros partidos – exclusivamente programática, restrita a cargos técnicos e sem passar pano para a corrupção. Porém, diante das especulações recentes, quero esclarecer também o que eu busco num futuro vice-presidente.
É fato que vou participar nos debates das principais emissoras. Já estou em terceiro lugar em todas as pesquisas sérias. Também é fato que, desde 2014, o tempo de propaganda na televisão não decide mais a eleição; Bolsonaro foi eleito com 8 segundos contra 5 minutos e 32 segundos de Geraldo Alckmin. Não é nenhum tipo de recurso partidário ou apoio do Centrão que vai fazer a diferença na minha pré-campanha. Tampouco é dinheiro. Com todo dinheiro do mundo, eu não alteraria minha estratégia de crescimento: falar diretamente com o povo, ser brutalmente honesto e criticar todos os corruptos e incompetentes do estamento político brasileiro. Não há nada que eles possam oferecer para “comprar” minha candidatura e não tem nenhum vice que possa fazer a diferença entre a nossa vitória e a nossa derrota – até porque a vitória é inevitável.
O que busco em um vice, portanto, não é nada que traga vantagens eleitorais de curto prazo; quero alguém que jogue junto no governo: alguém que me ajude a implementar a nossa agenda de combate ao crime, crescimento econômico e reforma política.
Temos, é claro, grandes nomes que nos apoiam em todas essas áreas. Me consulto regularmente com o Coronel Buznello, do BOPE, e com líderes das forças armadas, sobre a melhor forma de destruir as facções. Na economia, estou cercado de conselheiros brilhantes, como o economista João Landau e meu correligionário Kim Kataguiri, que protocolou a PEC do Equilíbrio Fiscal. E no campo da política conto com minha própria experiência e do meu grupo, que há dez anos organizou o impeachment, pressionando deputados dia e noite e articulando com lideranças de todos os partidos do centro e da direita – a memória daqueles anos felizes de 2015 e 2016 foi devidamente registrada no documentário Não Vai Ter Golpe, que urjo todos nossos apoiadores a assistirem e divulgarem.
Meu companheiro de chapa será escolhido exclusivamente com base nesses critérios: lealdade ao nosso projeto e capacidade de ajudar nessas três frentes. Pode ser que ele venha de dentro da Missão, onde temos dezenas de nomes competentes em todas as áreas; pode ser que seja um membro das forças armadas ou policiais que ainda não se filiou, mas que demonstre entusiasmo verdadeiro pelo nosso movimento; e pode ser que seja filiado a algum outro partido já estabelecido na política brasileira.
Nesse último caso, o importante é dizer que nossa coligação jamais será casuística: não vamos virar o olho, passar pano e muito menos dividir palanque com políticos que estejam ativamente envolvidos no escândalo do Banco Master ou outros casos de corrupção. Mas isso não quer dizer que vamos descartar figuras nobres e corretas que, porventura do nosso mal desenhado sistema político, dividam a sigla com eles. Como já disse muitas vezes, há pouquíssimos partidos de verdade no Brasil: o PSD, o PSDB, o MDB, entre outros, são siglas – não partidos. Isto é, não possuem unidade programática, ideológica ou mesmo relacional. Se as lideranças dessas siglas que tiverem reputação limpa me procurarem e oferecerem seu apoio genuíno, serão recebidas de bom grado.
Meu sonho é um só. Vencer essa eleição e trabalhar duro durante os próximos quatro anos para transformar esse país de cabo a rabo. Quem quiser jogar junto será mais que bem-vindo ao time.