MONIELLE FREITAS
LITORAL PAULISTA: DO POTENCIAL ADORMECIDO AO CINTURÃO ECONÔMICO REGIONAL
Uma estratégia de integração, infraestrutura e diversificação para transformar a costa em motor nacional
MONIELLE FREITAS
23 FEV. 2026
Na primeira parte desta reflexão, tratei das limitações do modelo atual: dependência excessiva das praias, sazonalidade, problemas estruturais e ausência de planejamento estratégico. Agora, avanço para aquilo que pode transformar o litoral paulista em protagonista econômico.
Se o turismo é capaz de sustentar economias inteiras, então precisamos ousar pensar grande, para alcançar um patamar jamais sonhado, é necessário dar os passos gigantescos aos quais me referi anteriormente, e isso começa com planejamento.
O primeiro ponto é realizar um remapeamento completo de todo o litoral paulistano, começando pelo litoral sul, identificando o perfil de cada cidade da região metropolitana e destacando o potencial individual de cada uma delas. A proposta é criar um cinturão econômico no qual uma cidade se beneficie da outra, não como efeito sanguessuga, mas como engrenagens de um mesmo sistema, impulsionando-se mutuamente.
De forma turística, podemos organizar esse planejamento em três grandes grupos estratégicos:
Grupo ecológico: balneários com as melhores praias para banho, esportes aquáticos, trilhas e cachoeiras, estruturados para receber visitantes durante todo o ano.
Grupo histórico: cidades com museus, igrejas, monumentos e eventos permanentes ao ar livre, com encenações de momentos históricos importantes e valorização de grandes figuras ligadas à região, como José Bonifácio, Martim Afonso e Santos Dumont.
Grupo de entretenimento: estabelecimento de um grande calendário turístico regional com festas típicas e regionais, além da implantação de um grande parque aquático e um parque temático de grande porte, capazes de atrair fluxo diário de visitantes. Esse setor, sozinho, possui potencial para receber milhões de pessoas ao longo do ano, movimentando hotéis, comércio e serviços.
Esses três grupos integrados podem alavancar o comércio local, fortalecer o setor hoteleiro e gerar milhares de empregos diretos e indiretos.
Naturalmente, toda a infraestrutura regional deve ser remodelada. É indispensável viabilizar acesso aeroportuário e incentivar o turismo internacional. Além disso, é fundamental implementar mobilidade urbana eficiente, e isso passa pela criação de um trem de alta velocidade, o conhecido trem bala, conectando cidades como Bertioga e Peruíbe, promovendo integração real e a sensação concreta de metropolização.
Associado a essa malha ferroviária moderna, a implantação de um aeroporto internacional em Itanhaém, única cidade com condições técnicas para aprovação de projeto desse porte junto à ANAC, daria à região a grandeza compatível com seu potencial.
Um projeto dessa magnitude pode servir como modelo para toda a costa brasileira, transformando o litoral em impulsionador da economia nacional. Deixaríamos de ser uma região sazonal e dependente para nos tornarmos parte ativa da solução econômica do país.
Para que isso aconteça, é preciso iniciar imediatamente. Um projeto estruturante dessa dimensão pode levar de 12 a 20 anos para se concretizar plenamente, o tempo necessário não pode ser justificativa para a inércia, mas sim argumento para o início imediato de sua construção.