VALETE OFICIAL
RENAN SANTOS DENUNCIA POSSÍVEL INTERFERÊNCIA DOS EUA NAS ELEIÇÕES
Candidato relaciona avanço de Trump à disputa por recursos estratégicos do Brasil
VALETE OFICIAL
23 SET. 2026

O candidato à Presidência da República Renan Santos, da Missão, afirmou, em entrevista ao Jornal da Record, que vê risco de interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras de 2026.
Segundo Renan, o governo de Donald Trump estaria ampliando sua atuação sobre assuntos brasileiros. O candidato citou declarações recentes do presidente americano e de integrantes de seu governo e afirmou que não quer que países latino-americanos fiquem sob influência de Washington.
“Eu vejo, sim, risco e venho denunciando, de maneira clara, as intervenções dos EUA nas eleições brasileiras.”
Renan também mencionou o interesse manifestado por autoridades americanas em terras raras e outros recursos estratégicos brasileiros, além da atuação de Trump em questões envolvendo territórios estrangeiros, como a Groenlândia. Para o candidato, esses movimentos fazem parte de uma disputa mais ampla por influência econômica e geopolítica.
ALERTA JÁ HAVIA SIDO FEITO POR RENAN
A declaração ocorre poucos dias depois de a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) ter classificado como “crítico” o nível de risco de influência e interferência dos Estados Unidos no processo eleitoral brasileiro.
Segundo relatório da agência, encaminhado no fim de agosto ao Palácio do Planalto, ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Ministério da Justiça, haveria uma tendência de escalada da pressão americana sobre o Brasil. O documento aponta interesses dos Estados Unidos relacionados à contenção da influência chinesa na América Latina e ao acesso a recursos naturais e ativos estratégicos.
O relatório também menciona a atuação de autoridades americanas, entre elas o secretário de Estado Marco Rubio, e possíveis impactos de sanções financeiras e medidas relacionadas ao combate ao narcotráfico sobre o Brasil.
A existência desse diagnóstico da Abin não comprova, por si só, uma interferência estrangeira nas eleições. O documento apresenta uma avaliação de risco da inteligência brasileira, enquanto Renan utiliza essas informações para sustentar seu alerta.
RENAN REJEITA ALINHAMENTO AUTOMÁTICO
Durante a entrevista, o candidato afirmou que não pretende alinhar o Brasil automaticamente a nenhuma potência estrangeira.
Renan criticou tanto uma eventual aproximação excessiva com os Estados Unidos quanto a relação brasileira com a China. Em outra declaração recente, resumiu sua posição dizendo que o país não deveria ser “vassalo” de nenhuma das duas potências.
O candidato também relacionou a disputa geopolítica aos recursos minerais brasileiros, especialmente às terras raras, consideradas estratégicas para setores como tecnologia, energia e indústria.
A Groenlândia também foi citada como exemplo da atuação externa do governo Trump. Renan utiliza o episódio para contextualizar sua preocupação com a relação entre grandes potências e territórios que concentram recursos estratégicos.
CRIME ORGANIZADO E ESCUDO DAS AMÉRICAS
Renan também foi questionado sobre o Escudo das Américas, iniciativa anunciada pelos Estados Unidos e por outros países latino-americanos para ampliar a cooperação contra organizações criminosas.
O candidato afirmou ser favorável à cooperação internacional no combate ao crime organizado, mas rejeitou a possibilidade de participação direta de forças estrangeiras em território brasileiro.
“Eu sou favorável a uma articulação conjunta, mas sou totalmente contrário à interferência americana e estrangeira em território brasileiro.”
Renan defendeu que o combate ao PCC e ao Comando Vermelho seja conduzido pelas próprias forças de segurança brasileiras.
DISPUTA POR RECURSOS E INFLUÊNCIA
O alerta de Renan ocorre em meio a uma discussão mais ampla sobre a atuação dos Estados Unidos na América Latina e seus interesses econômicos e estratégicos na região.
A disputa por minerais críticos e terras raras ganhou importância na política internacional devido à utilização desses recursos em setores como tecnologia, defesa, energia e indústria. O Brasil possui reservas consideradas relevantes nesse mercado.
Para Renan, a questão não deve ser analisada apenas sob a perspectiva comercial, mas também como parte de uma disputa geopolítica entre grandes potências.
Nesse contexto, o candidato da Missão passou a apresentar a soberania nacional e a rejeição à interferência estrangeira como elementos de seu discurso eleitoral, defendendo simultaneamente relações de cooperação com outros países sem subordinação automática a Washington ou Pequim.