VALETE OFICIAL
PF REVELA 316 INTERAÇÕES ENTRE MORAES E VORCARO ANTES DA PRISÃO
Celular do banqueiro registra 316 interações em dois meses; ministro nega as conversas.
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06 NOV. 2026

Três dias antes de ser preso, Daniel Vorcaro avisou pelo WhatsApp que acabara de pousar em Brasília. Onze minutos depois, recebeu uma mensagem atribuída a Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF): “A caminho então”. O trecho está entre os 316 registros que o UOL identificou no celular do ex-controlador do Banco Master. As mensagens sugerem que os dois combinaram um encontro, mas não confirmam que ele ocorreu.
O levantamento, publicado nesta sexta-feira (6) pelos jornalistas Cézar Feitoza, Natália Portinari e Fabio Serapião, abrange o período de 17 de setembro a 17 de novembro de 2025. Dos 316 registros, 187 correspondem a mensagens enviadas por Vorcaro. Os outros 129 incluem mensagens atribuídas a Moraes e avisos do aplicativo, como notificações de chamadas.
A reportagem identificou o conteúdo de 69 mensagens. A PF já conhecia 52 delas: Vorcaro escrevia no bloco de notas do celular, tirava uma captura de tela e enviava a imagem para visualização única. Os jornalistas recuperaram outras 17 em arquivos que o WhatsApp mantinha no aparelho. Parte dos trechos veio de um índice de busca que guardava as palavras fora de ordem. Nesses casos, a reportagem publicou a sequência que considerou mais provável.
As mensagens no dia da viagem a Brasília
Em 14 de novembro, Vorcaro viajou de São Paulo a Brasília em seu jato particular. Às 13h24, quando o banqueiro ainda estava em voo, chegou a mensagem atribuída a Moraes: “Me avise quando pousar”. Às 14h32, o interlocutor perguntou se ele já havia chegado. Vorcaro confirmou o pouso às 14h35 e seguiu para sua casa no Lago Sul. Os trechos recuperados não mencionam o endereço de um encontro nem o assunto que os dois pretendiam discutir.
Outras mensagens atribuídas aos dois tratavam de assuntos pessoais. Em 12 de novembro, depois de um comentário sobre a participação dos pais na vida dos filhos, Vorcaro chamou o interlocutor de “paizão” e mandou um abraço à família.
Vorcaro pediu ajuda para adiar medida da PF
Nas mensagens que a PF já havia identificado, Vorcaro perguntou se deveria deixar o país e pediu ao interlocutor que falasse com “Andrei e Paulo”. Para os investigadores, os nomes eram referências a Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF, e a Paulo Gonet, procurador-geral da República. Na véspera da prisão, o banqueiro escreveu que, se Andrei conseguisse adiar a medida para a semana seguinte, o Master não quebraria. A PF prendeu Vorcaro em 17 de novembro, no aeroporto de Guarulhos, quando ele se preparava para embarcar para Dubai. Os registros divulgados não mostram que Moraes tenha atendido ao pedido.
O Master também mantinha um contrato com o escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. O acordo de serviços jurídicos previa 36 parcelas mensais de R$ 3,6 milhões, cerca de R$ 130 milhões no total. Em nota divulgada em março, o escritório afirmou que prestou consultoria ao banco e produziu 36 pareceres e opiniões jurídicas.
Ao contestar no STF o relatório anterior da PF, Moraes negou as conversas e afirmou que o documento não trazia nenhuma mensagem de sua autoria. O ministro classificou o relatório como falso e atribuiu sua elaboração a uma retaliação por sua atuação nos processos sobre a tentativa de golpe de Estado. Os advogados de Vorcaro também questionam se os dados do celular foram preservados após a apreensão. Procurados pelo UOL sobre os novos registros, o ministro e a defesa do banqueiro não responderam até a publicação da reportagem.