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ORUAM POSTA VÍDEO CHORANDO APÓS MÃE E IRMÃO SEREM PRESOS
Operação investiga monopólio de internet imposto pelo CV e bloqueia até R$ 558 milhões em bens.
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19 OUT. 2026

O rapper Oruam publicou vídeos chorando nesta segunda-feira (19), após a Polícia Federal prender sua mãe, Márcia Gama Nepomuceno, e seu irmão, Lucas Santos Nepomuceno, conhecido como Lucca. Os dois são investigados na Operação Backbone, que apura o controle do fornecimento de internet pelo Comando Vermelho em comunidades do Rio de Janeiro.
Na Europa para compromissos musicais com o rapper norte-americano Young Thug, Oruam usou os Stories do Instagram para lamentar as prisões. Em uma das gravações, apareceu chorando dentro de um carro. Também compartilhou uma foto da mãe e mensagens que havia recebido dela antes da operação.
O cantor lembrou que tinha 10 anos quando presenciou uma prisão de Márcia e disse que, agora, seu sobrinho havia passado pela mesma situação. Nas conversas divulgadas, ela o aconselhava a confiar em Deus, manter a calma e lidar com a ansiedade.
Márcia já havia sido presa em 2010, sob acusação de lavar dinheiro para o tráfico. Naquele caso, foi absolvida e deixou a prisão cinco meses depois, segundo o Metrópoles.
Como funcionava o controle da internet
Segundo a PF, o esquema operava nos complexos do Alemão, da Penha e do Chapadão, na Zona Norte do Rio. Homens armados cortavam cabos, incendiavam caixas de distribuição e impediam reparos nas redes de operadoras concorrentes. Sem alternativas, moradores e comerciantes eram obrigados a contratar provedores ligados à facção.
As empresas autorizadas pelo grupo a atuar nesses territórios também pagavam uma taxa mensal. Registros contábeis obtidos pelos investigadores indicam que, em um dos meses analisados, a cobrança sobre os serviços de internet respondeu por mais de 40% da arrecadação do CV no Complexo da Penha.
A investigação aponta que o dinheiro passava por empresas arrecadadoras, operadores financeiros e contas usadas para transferir os valores. A suspeita é que os recursos fossem depois ocultados em produtoras de eventos, empresas de publicidade, imóveis comprados em dinheiro e criptoativos.
Marcinho VP e vereador também são alvos
O pai de Oruam, Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, também foi alvo de mandado de prisão. Apontado pelas autoridades como uma das lideranças do Comando Vermelho, ele já cumpre pena no sistema penitenciário federal. A PF sustenta que, mesmo encarcerado, continuava controlando atividades empresariais da facção com familiares e outras lideranças.
Outro preso foi o vereador carioca Fábio Silva Costa (Podemos), localizado em Londrina, no Paraná. Segundo informações obtidas pelo UOL com fontes da PF, ele é apontado como proprietário e beneficiário de provedores de internet ligados ao grupo.
Ao todo, foram expedidos 23 mandados de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão, autorizados pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Parte das ordens de prisão é destinada a pessoas que já estavam no sistema prisional.
Bloqueio de bens e suspensão de empresas
A Justiça determinou o bloqueio de até R$ 558 milhões em bens e valores de 40 pessoas e 42 empresas, além da suspensão das atividades dos negócios investigados. A decisão alcança provedores de internet, produtoras de eventos, uma empresa de contabilidade e companhias apontadas como de fachada.
A Anatel será acionada para cassar as autorizações e interditar os serviços das empresas envolvidas. Segundo a PF, serão adotadas medidas para garantir que os moradores continuem com acesso à internet.
A Operação Backbone integra a Força-Tarefa Missão Redentor II. Entre os crimes investigados estão extorsão, lavagem de dinheiro e exploração clandestina de telecomunicações. As prisões são preventivas, e a responsabilidade de cada investigado ainda será examinada pela Justiça.