VALETE OFICIAL
MPF PROCESSA RENAN SANTOS POR “DISCURSO DE ÓDIO” CONTRA INDÍGENAS
Ação pede R$ 500 mil por danos morais coletivos contra Renan Santos.
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19 AGO. 2026

O Ministério Público Federal (MPF) entrou, na última segunda-feira (17), com uma ação na Justiça Federal contra o candidato à Presidência da República Renan Santos, da Missão, por declarações feitas contra 14 etnias indígenas da região do Baixo Tapajós, no Pará. O órgão pede a responsabilização civil do candidato e da Movimento Renovação Liberal, responsável pelo Movimento Brasil Livre (MBL), além do pagamento de R$ 500 mil por danos morais coletivos.
Segundo o MPF, as declarações foram publicadas no perfil de Renan Santos no Instagram durante episódios de protesto e ocupação do terminal da empresa Cargill, em Santarém (PA), em janeiro de 2026. O órgão afirma que, nos vídeos, o candidato teria dirigido ofensas generalizadas às comunidades indígenas, utilizando termos como “vagabundos”, “picaretas” e “malandros”, além de afirmar que os povos locais “vivem de mamata” e deveriam ser compulsoriamente colocados para trabalhar.
O Ministério Público também sustenta que as publicações ultrapassaram as críticas relacionadas aos protestos e atingiram a identidade étnica das comunidades. Segundo a ação, Renan teria ironizado características físicas e questionado a legitimidade de povos indígenas historicamente estabelecidos na região.
Renan Santos apresentou sua versão durante o 11º Fórum CNT de Debates – Edição Presidenciáveis, em Brasília. O candidato afirmou que se tornou alvo do MPF após publicar um vídeo criticando o que chamou de “supostos indígenas criminosos” que teriam atacado uma rodovia e deixado centenas de caminhoneiros parados em uma longa fila.
Na ocasião, Renan afirmou que os protestos prejudicariam não apenas o Pará, mas também o Mato Grosso, ao comprometer projetos de infraestrutura destinados ao escoamento da produção. Ele também acusou setores ligados ao movimento indígena de promoverem uma política de sabotagem contra a construção de uma hidrovia conectada a ferrovias e rodovias.
O candidato disse que seu objetivo ao publicar o vídeo era levar a discussão sobre a questão indígena para o debate nacional. Ao comentar a ação do MPF, afirmou que o órgão exige uma retratação pública e o pagamento de R$ 200 mil, valor diferente dos R$ 500 mil pedidos na ação apresentada pelo Ministério Público.
O processo será analisado pela Justiça Federal, que deverá avaliar as acusações apresentadas pelo MPF e a defesa de Renan Santos. Até o momento, não há condenação judicial contra o candidato, e a caracterização das declarações como “discurso de ódio” integra a argumentação apresentada pelo Ministério Público na ação.