VALETE OFICIAL
MISSÃO REBATE ACUSAÇÕES DE FRAUDE E DIZ QUE ASSESSORIA IGNOROU E-MAILS
Partido afirma que alertou o gabinete, mas mensagens foram abertas e não respondidas.
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13 AGO. 2026

O Partido Missão negou ter fraudado a filiação de Flávio Bolsonaro e apresentou, nesta quinta-feira (13), registros de e-mails e do sistema de filiação para sustentar sua versão sobre o episódio. Segundo a legenda, o cadastro do senador pode ter sido realizado por alguém com acesso ao seu e-mail institucional do Senado, sem participação do partido.
De acordo com a cronologia apresentada pela Missão, o cadastro foi realizado em 2 de agosto. O sistema da legenda teria identificado divergências entre os dados fornecidos e as informações eleitorais de Flávio Bolsonaro. Entre as inconsistências apontadas estavam divergências entre título de eleitor, CPF e demais dados cadastrais.

A Missão afirma que seu sistema tentou impedir automaticamente o envio da filiação ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por causa das inconsistências. Mesmo assim, quando o procedimento foi encaminhado ao sistema da Justiça Eleitoral, o pedido de reversão teria sido rejeitado. Segundo os dirigentes do partido, o sistema do TSE apresentou o código de erro 403 quando a legenda tentou cancelar o registro.
O partido também afirma que não possuía acesso ao e-mail institucional de Flávio, utilizado para realizar o cadastro. Por isso, sustenta que a origem da filiação deve ser investigada a partir de quem tinha acesso à conta do senador. A legenda anunciou que pretende entregar à Polícia Federal e ao TSE os registros técnicos do episódio, incluindo logs, endereços de IP e mensagens enviadas.
A principal acusação da Missão, porém, está na atuação do gabinete de Flávio após o cadastro. Segundo os dirigentes, o sistema enviou sucessivas mensagens ao e-mail institucional do senador informando sobre a filiação e solicitando providências. Os registros apresentados pelo partido indicam que as mensagens foram abertas e, em pelo menos uma ocasião, tiveram links clicados.

Durante pronunciamento, a Missão afirmou que pelo menos oito e-mails foram enviados ao gabinete de Flávio. Entre eles estava uma mensagem de confirmação do cadastro, que teria sido aberta por alguém ligado ao gabinete, e outras mensagens com o assunto “Conclua sua filiação Partido Missão”. Uma delas, segundo os registros exibidos, foi aberta e recebeu um clique.
A legenda questiona por que o gabinete não teria interrompido o procedimento depois de receber os avisos. Para o secretário-geral do partido, mesmo que uma terceira pessoa tivesse obtido acesso indevido ao e-mail de Flávio, a equipe do senador teria tido a possibilidade de perceber a movimentação ao abrir as mensagens enviadas pelo sistema de filiação.
A Missão também rejeitou a possibilidade de que o episódio tenha sido provocado internamente pelo partido. Segundo os dirigentes, nenhum integrante da legenda tinha acesso à conta institucional do senador e o próprio sistema partidário teria identificado as inconsistências antes de encaminhar o registro ao TSE.

O partido afirma ainda que o episódio não interessa politicamente à Missão. Segundo a direção, a legenda terá de prestar esclarecimentos à Polícia Federal e ao TSE sobre uma filiação que afirma não ter realizado e que tentou cancelar. Os dirigentes também negaram qualquer intenção de impedir a candidatura de Flávio Bolsonaro.
Durante a transmissão, a Missão rebateu ainda a interpretação de que a situação de filiação impediria Flávio de registrar sua candidatura. Segundo o partido, o sistema de registro de candidaturas não bloquearia automaticamente o procedimento em razão da situação da filiação partidária.
Ao final, a legenda afirmou que pretende disponibilizar às autoridades todos os registros técnicos relacionados ao episódio, para que seja possível identificar quem realizou o cadastro e quem teve acesso à conta de e-mail utilizada. A Missão sustenta que os documentos apresentados demonstram que o partido tentou impedir a filiação e que o gabinete de Flávio foi avisado repetidamente sobre a movimentação.
A autoria da filiação, contudo, ainda precisa ser esclarecida pelas autoridades. O que os documentos apresentados pela Missão demonstram, segundo a própria legenda, é a sequência de cadastro, alertas enviados ao e-mail institucional, abertura das mensagens e tentativa posterior de cancelamento do registro.