VALETE OFICIAL
FLÁVIO ERA “USUÁRIO MASTER” DE OFFSHORE VINCULADA A JATO DE DANIEL VORCARO
Segundo a PF, registro bancário liga o senador a offshore sócia da proprietária da aeronave.
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14 OUT. 2026

A Polícia Federal (PF) identificou registros bancários que associam o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a uma conta vinculada à Alcazar Holdings, empresa sediada na Ilha da Madeira, em Portugal, que detinha participação na companhia proprietária de um jato utilizado pelo parlamentar em uma viagem aos Estados Unidos. A aeronave também tinha participação da Prime You, empresa que teve Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, como sócio. As informações foram reveladas por Malu Gaspar, de O Globo.
Os registros foram encontrados durante a análise de dados extraídos pela PF de uma conta de armazenamento em nuvem do advogado Willer Tomaz, próximo de Flávio e investigado por suspeita de lavagem de dinheiro relacionada a fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
A documentação inclui mensagens trocadas em maio de 2025 entre uma funcionária do escritório de Tomaz e representantes do Santander. Nos e-mails, a funcionária solicita a desvinculação de uma conta identificada com o nome de Flávio Bolsonaro de um perfil de usuário com acesso à conta empresarial. O banco confirma a alteração no mesmo dia.
Conta estava ligada a empresa em Portugal
A Alcazar Holdings é uma empresa registrada na Ilha da Madeira, território português, da qual Willer Tomaz afirma ser sócio. A PF investiga as movimentações financeiras do advogado e de empresas relacionadas a ele no âmbito da Operação Sem Desconto, que apura um esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões.
O sistema bancário permite que contas empresariais tenham diferentes perfis de acesso, incluindo usuários com autorização para realizar operações financeiras. Os registros encontrados pela PF indicam que uma conta identificada com o nome de Flávio estava associada ao mesmo perfil de usuário master relacionado a Tomaz e à Alcazar.
A documentação, entretanto, não comprova, por si só, que Flávio fosse proprietário da offshore ou que tenha movimentado recursos ilícitos por meio dela. O alcance de seu acesso à conta e a natureza da relação financeira entre os envolvidos são questões que dependem de esclarecimento.
Offshore tinha participação em jato usado por Flávio
A Alcazar Holdings detinha aproximadamente um terço da empresa responsável pela propriedade de um jato executivo Embraer Legacy 650. Outra participação pertencia à Prime You, companhia que teve Vorcaro entre seus sócios.
Em janeiro de 2025, Flávio viajou de Fort Lauderdale, nos Estados Unidos, para Brasília a bordo da aeronave, acompanhado de Willer Tomaz. O senador já havia confirmado a viagem e afirmado que estava no avião a convite do advogado.
Tomaz declarou que utilizou horas correspondentes à sua própria participação na aeronave e que os demais passageiros viajaram como convidados. Também afirmou que desconhecia, à época, a participação de Vorcaro na Prime You.
A PF também identificou pagamentos de voos em jatos executivos para Flávio e familiares por empresas ligadas a Tomaz no exterior, entre elas a Alcazar Holdings e a Cathedral Holdings. Os registros fazem parte da apuração sobre as relações financeiras e empresariais do advogado.
Flávio e advogado negam vínculo financeiro
A assessoria de Flávio Bolsonaro negou que o senador tenha mantido uma conta compartilhada com Willer Tomaz ou com empresas ligadas ao advogado. A defesa sustenta que as informações divulgadas são falsas e que a desvinculação registrada nos e-mails não comprova a existência de uma relação financeira entre os dois.
Tomaz também negou vínculo financeiro com o senador e afirmou que a relação entre eles é de amizade. Ambos contestam a interpretação dada aos documentos encontrados pela Polícia Federal.
Os registros bancários acrescentam um elemento à investigação sobre as relações de Flávio com o advogado e empresas associadas a ele. Até o momento, porém, os documentos não comprovam que o senador tenha participado de irregularidades financeiras ou recebido recursos desviados do INSS.