VALETE OFICIAL
EX-SÓCIO REVELA FESTAS DE FLÁVIO COM GAROTAS DE PROGRAMA
Mensagens revelam pedidos de dinheiro de Queiroz, Rolex de R$ 305 mil e lobby com Kassio Nunes.
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29 SET. 2026

O ex-sócio e ex-amigo de Flávio Bolsonaro, Alexandre Ferreira Dias Santini, guardou durante anos mensagens, áudios, documentos e fotografias que, segundo reportagem do PlatôBR, registram episódios da vida pessoal e da atuação política do senador. O material inclui conversas sobre festas privadas com garotas de programa, presentes de alto valor e uma tentativa de intermediação de interesses junto ao ministro Kassio Nunes Marques, do STF.
Santini foi sócio de Flávio em uma franquia da Kopenhagen na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Os dois romperam a relação após uma disputa financeira, e o ex-sócio passou a cobrar de Flávio um “acerto de contas”. Durante o conflito, Santini compartilhou parte do material que havia acumulado com pessoas próximas ao senador.
FESTAS COM GAROTAS DE PROGRAMA
Entre os registros estão mensagens trocadas entre Santini e uma agenciadora de garotas de programa. Em uma delas, o ex-sócio pede que sejam organizados novos encontros e menciona a participação de Flávio, a quem chamava de “meu filho”.
As conversas indicam que um dos encontros havia ocorrido no Grand Hyatt, na Barra da Tijuca, e que Santini negociava a contratação de novas mulheres para reuniões semelhantes. Ele também pedia sigilo, citando o período eleitoral.
Segundo a reportagem, Santini teria sido responsável por organizar parte desses encontros. Ele posteriormente mostrou fotografias e mensagens sobre as festas a Fernanda Bolsonaro, mulher de Flávio, durante a crise entre os dois ex-sócios.
Em uma mensagem enviada posteriormente a Santini, Flávio afirmou ter se arrependido de “muitas escolhas erradas” e disse que não voltaria a errar com sua família. O conteúdo, segundo o PlatôBR, ocorreu no contexto da crise conjugal provocada pela exposição dos encontros.
ROLEX DE R$ 305 MIL
O material reunido pelo ex-sócio também inclui registros de presentes e despesas pagas por pessoas próximas a Flávio.
Um dos casos citados é um Rolex Submariner Date de ouro branco, comprado pelo advogado Alan Belaciano em Brasília em fevereiro de 2022. A nota fiscal foi emitida em nome do advogado e registra o valor de R$ 305 mil.
Segundo o PlatôBR, mensagens guardadas por Santini indicam que o relógio foi comprado por Belaciano para Flávio. O senador havia afirmado anteriormente, em outro episódio envolvendo despesas pagas por um amigo, que determinados gastos eram tratados como empréstimos pessoais.
Belaciano fazia parte do círculo de pessoas próximas a Flávio em Brasília. Segundo a reportagem, ele e outros aliados mantinham uma casa no Lago Sul frequentada por pessoas interessadas em resolver questões junto à administração federal durante o governo Jair Bolsonaro.
PEDIDOS DE DINHEIRO DE QUEIROZ
As mensagens também mostram a proximidade entre Santini e Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio e personagem central das investigações sobre as chamadas rachadinhas.
Segundo o material publicado pelo PlatôBR, Queiroz recorria a Santini para transmitir pedidos de dinheiro a Flávio. Em um dos áudios, reclamava de dificuldades financeiras e afirmava receber apenas uma ajuda eventual dos Bolsonaro.
Mesmo depois do rompimento entre Flávio e Santini, Queiroz continuou enviando mensagens por intermédio do ex-sócio. Em determinado momento, Santini encaminhou os áudios diretamente a Flávio, dizendo que a cobrança era responsabilidade do senador.
LOBBY COM KASSIO NUNES
O episódio mais diretamente relacionado à atuação política de Flávio envolve o ministro Kassio Nunes Marques, do STF.
No fim de 2023, Santini enviou uma mensagem a Flávio afirmando ter conhecimento de que o senador havia conversado diretamente com Kassio sobre os interesses de um cliente que possuía processo no gabinete do ministro.
Segundo a mensagem, o caso seria tratado por Alan Belaciano, o mesmo advogado apontado como comprador do Rolex. Santini também afirmou que teria sido marcado um jantar com a participação do chefe de gabinete do ministro para tratar do assunto.
Depois da mensagem, Flávio respondeu propondo uma reunião em seu gabinete. Pouco depois, Santini comunicou às pessoas com quem havia compartilhado seu material que a disputa estava encerrada. Não há, na reportagem, comprovação independente de que a suposta intermediação tenha produzido alguma decisão ou benefício no processo mencionado.
WILLER TOMAZ
Outro nome que aparece no material é o advogado Willer Tomaz, próximo de Flávio e também investigado no caso das fraudes no INSS.
Tomaz teria atuado nas negociações entre Flávio e Santini para resolver a disputa financeira relacionada à antiga sociedade na Kopenhagen. Ele também é um dos proprietários do Legacy 650 utilizado por Flávio em uma viagem entre os Estados Unidos e o Brasil, em janeiro de 2025. À época, uma das cotas da aeronave estava ligada a uma empresa da qual Daniel Vorcaro era sócio.
A reportagem do PlatôBR foi publicada em meio às novas revelações sobre as relações de Flávio com empresários, advogados e outros personagens investigados em diferentes episódios. As acusações e relatos apresentados na matéria são atribuídos aos documentos e mensagens obtidos por Santini, e não constituem, por si só, comprovação judicial das irregularidades descritas.