VALETE OFICIAL
EMPRESA DE FLÁVIO BOLSONARO DIVIDE SALA COM EMPRESAS DO CARECA DO INSS
Bravo Grafeno está registrada no mesmo endereço de ao menos 16 empresas ligadas a Antônio Carlos Camilo Antunes, em Brasília.
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11 SET. 2026

A empresa de capacetes Bravo Grafeno, ligada ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), está registrada no mesmo endereço em Brasília onde funcionam ou estão registradas ao menos 16 empresas associadas a Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, investigado pela Polícia Federal no esquema de descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas. O endereço fica no Edifício Connect Towers, em Águas Claras, no Distrito Federal.
A Bravo Grafeno está registrada na sala 2601, bloco D, do edifício. A empresa foi aberta em junho de 2024, com capital social de R$ 100 mil, e comercializa capacetes e viseiras. Além de Flávio, o quadro societário inclui o ex-vereador Carlos Bolsonaro, irmão do senador, além de outros três sócios.
O mesmo endereço cadastral aparece em registros de empresas ligadas a Antunes, entre elas a Prospect Consultoria Empresarial. Segundo dados citados pelo Brasil de Fato a partir do relatório final da CPMI do INSS, a Prospect recebeu R$ 204,2 milhões de nove entidades investigadas, incluindo R$ 115,9 milhões da Unaspub, R$ 27,1 milhões da Ambec e R$ 19,8 milhões da CBPA.
A reportagem esteve no edifício nesta sexta-feira (11) e constatou que a sala 2601 é associada à Voga Serviços Contábeis, empresa de Alexandre Caetano dos Reis, apontado como sócio de Antunes em uma offshore nas Ilhas Virgens Britânicas. Alexandre está preso e também aparece como responsável pela contabilidade de empresas ligadas ao “Careca do INSS”.
CONTADOR É ELO ENTRE OS DOIS NÚCLEOS
Alexandre Caetano dos Reis também presta serviços contábeis ao escritório de advocacia de Flávio Bolsonaro. O e-mail da Voga aparece em notas fiscais emitidas pelo escritório do senador, informação que já havia sido revelada anteriormente.
A relação passa ainda por Letícia Caetano dos Reis, irmã de Alexandre. Ela é administradora do escritório de advocacia de Flávio e afirmou, em entrevista à Agência Pública em 2022, que chegou ao escritório por indicação do advogado Willer Tomaz, que também aparece nas investigações sobre as fraudes no INSS. Willer possui procuração para defender Alexandre Caetano dos Reis no processo.
A Bravo Grafeno, por sua vez, tem participação da família Bolsonaro. Flávio aparece no quadro societário ao lado de Carlos Bolsonaro. Jair Bolsonaro, que já participou da sociedade, também atua na divulgação da marca e lançou um dos modelos de capacete em março de 2025.
REDE EMPRESARIAL DO CARECA
O levantamento encontrou pelo menos 16 empresas relacionadas a Antunes registradas na sala 2601. Os negócios abrangem setores como consultoria, construção, incorporação, comércio, locação de veículos e serviços de call center. Algumas dessas empresas foram posteriormente baixadas.
A concentração chama atenção porque parte dessas companhias aparece na movimentação financeira investigada pela Operação Sem Desconto, que apura um esquema de descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões.
Segundo a investigação citada pela reportagem, Antunes utilizava uma rede de empresas para receber recursos provenientes de entidades que realizavam os descontos. A Prospect, uma das empresas associadas a ele, recebeu mais de R$ 200 milhões de entidades investigadas, de acordo com os dados apresentados na CPMI.
Antunes está preso preventivamente e é apontado pelos investigadores como um dos principais operadores do esquema. Ele nega as acusações.
FLÁVIO NEGA ENVOLVIMENTO
Flávio Bolsonaro já negou envolvimento com as fraudes investigadas no INSS. Procurado pela reportagem sobre o compartilhamento do endereço entre a Bravo Grafeno e empresas ligadas a Antunes, o senador não havia se manifestado até o fechamento da publicação. A defesa do “Careca do INSS” também não respondeu.
A Voga Serviços Contábeis confirmou que presta serviços à empresa de Flávio, mas negou que a sala 2601 pertença à contabilidade. Segundo um representante ouvido pela reportagem, o espaço funcionaria como coworking e pertenceria a outra empresa. Funcionários encontrados no local, porém, indicaram a Voga como responsável pela sala.
O compartilhamento do endereço, portanto, não demonstra por si só que Flávio Bolsonaro tenha participado das fraudes investigadas. O dado acrescenta, porém, mais um elo empresarial entre o entorno do senador e pessoas que integram a estrutura investigada na Operação Sem Desconto.