VALETE OFICIAL
AMANDA VETTORAZZO PEDE AFASTAMENTO DE VEREADOR PRESO EM OPERAÇÃO CONTRA O PCC
Senival Moura (PT) foi preso pela segunda vez; investigação apura lavagem de dinheiro.
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30 OUT. 2026

A vereadora Amanda Vettorazzo (União Brasil-SP) pediu o afastamento de Senival Moura (PT) da Câmara Municipal de São Paulo após a segunda prisão do parlamentar na Operação Última Parada. A investigação apura suspeitas de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) por meio da Transunião, concessionária do transporte público paulistano.
A representação foi encaminhada à Mesa Diretora e à Corregedoria na quinta-feira (29), um dia após a prisão. Amanda também solicita que Senival deixe a primeira-secretaria da Mesa e a presidência da Comissão de Trânsito e Transporte.
Segundo o Ministério Público de São Paulo (MPSP), o vereador teria influência sobre a gestão financeira da empresa, mesmo sem ocupar formalmente um cargo de direção. A defesa nega qualquer envolvimento com o PCC e contesta a prisão.
Amanda aponta conflito de interesses
No pedido, Amanda questiona a permanência de Senival à frente da comissão que fiscaliza justamente o setor de atuação da Transunião. Para a vereadora, as suspeitas investigadas criam um conflito com as responsabilidades do cargo.
Ela também aponta que a primeira-secretaria da Mesa Diretora tem atribuições administrativas, como a assinatura de contratos e a guarda de documentos da Câmara. Na representação, sustenta que o afastamento seria uma medida preventiva para preservar o funcionamento da Casa, sem antecipar uma condenação.
Amanda retomou ainda o pedido de cassação apresentado em junho, após a primeira prisão de Senival, e solicitou que ele seja impedido de disputar novos cargos na Mesa enquanto o procedimento estiver em andamento. A eleição interna está prevista para 15 de dezembro.
Os pedidos dependem de análise da Câmara. O protocolo da representação não determina o afastamento nem a perda do mandato.
Investigação mira movimentações da Transunião
Conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), a Operação Última Parada investiga a suspeita de infiltração do PCC na concessionária.
A Transunião opera cerca de 50 linhas na Zona Leste e recebeu mais de R$ 300 milhões da Prefeitura em 2025. Segundo os investigadores, a empresa teria sido usada para movimentar e ocultar recursos de atividades criminosas.
O Ministério Público aponta a incorporação de aproximadamente R$ 50 milhões de origem suspeita às finanças da concessionária, em operações que incluíam aportes de capital e distribuição de lucros.
Uma auditoria privada apreendida na investigação também identificou R$ 48,1 milhões em movimentações suspeitas envolvendo Senival e pessoas próximas. Segundo a Promotoria, parte das transações não tinha documentação suficiente para esclarecer sua finalidade.
Segunda prisão ocorreu quatro meses após a primeira
Senival foi preso inicialmente em 25 de junho. Em agosto, o Tribunal de Justiça de São Paulo considerou ilegal a manutenção da prisão temporária por excesso de prazo e determinou sua soltura, sem analisar o mérito das acusações.
Em 2 de outubro, o Ministério Público apresentou denúncia contra o vereador e outras 20 pessoas. Na quarta-feira (28), Senival voltou a ser preso, desta vez preventivamente.
Os advogados negam a participação do parlamentar em lavagem de dinheiro ou organizações criminosas. Também afirmam que não há elementos concretos que justifiquem a prisão preventiva e anunciaram medidas judiciais para tentar libertá-lo.
Após a primeira prisão, Senival pediu afastamento de sua filiação ao PT, alegando que precisava se dedicar à defesa. Na ocasião, o diretório municipal informou que acompanharia as investigações e encaminharia o caso à Comissão de Ética do partido.