RENAN SANTOS

Banco Master é o 2013 da Geração Z

Chegou a hora da revolução zoomer?

RENAN SANTOS

01 JAN. 2026


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O escândalo do Banco Master e a promiscuidade envolvendo política, sistema financeiro e STF ultrapassaram qualquer limite do aceitável. Há uma operação abafa sendo tocada por gente graúda para manter o clima de falsa normalidade. Essa operação abafa tinha como premissa a aceitação tácita, de todos os grandes agentes do sistema (sei que o termo é babaca), de que as manobras de Vorcaro sairiam incólumes. E, dado que quase todo mundo estava envolvido, um equilíbrio instável manteria as aparências.

Não foi o caso.

O roubo de Vorcaro gerou contaminação no mercado financeiro e revolta inclusive na Rede Globo. Mesmo na suprema corte o clima é de espanto e desconfiança. Toffoli e Alexandre passaram do ponto, sabemos, e isso foi sentido inclusive por seus pares, que consideram as desventuras contratuais e aeronáuticas dos dois ministros um constrangimento ímpar na história recente da corte.

Estes elementos configuram o racha estrutural da elite que derrotou Bolsonaro em 2022 e retornou, ainda que com o nariz tapado, ao poder junto com Lula. Um racha que, dada a divisão de forças e a virulência dos ataques, não parece ter hora para terminar. Um racha que se assemelha em muitos termos ao momento brasileiro de 2014, quando tínhamos um cansaço explícito do jeito petista de governar e um esgotamento do modelo econômico vigente.

A diferença, entretanto, é que vivemos num país muito menos livre do que aquele. A vigilância institucional do STF, o ativismo judicial do petismo e a ressaca moral de anos de bolsonarismo fizeram com que o brasileiro ficasse temeroso de se manifestar, ou no mínimo cético com as fórmulas vigentes. E faz sentido: desde 2019 temos apenas o desfile (pago) de membros de sindicatos vermelhos ou sua contraparte igualmente constrangedora vestida de amarelo. É peleguismo, defesa do absurdo e retrocesso institucional.

Nesse sentido, faz-se necessária uma revisão de fórmulas e uma tese ambiciosa: a de que a geração Z brasileira, tal qual seus colegas nepaleses, peruanos e mexicanos, pode tomar as rédeas do destino e iniciar seus protestos, tornando concreto o radicalismo que é visto, até agora, em seus edits de Instagram e posts no X. Há um momento único em que a inovação política se faz necessária, e que novos quadros, com um novo jeito de ser, podem se fazer úteis para oxigenar um cenário que se encontra decantado, desiludido e infértil.

Faço essa exortação como um millennial que participou das jornadas de 2013 e liderou as maiores manifestações da história do Brasil entre 14 e 18. Como um cara que viu sua revolução ser tomada e destruída pela geração X e boomer, ávidos por idolatrar Bolsonaro e tornar tudo aquilo que defendíamos numa piada. Como um cara que não perdeu o senso de justiça e o desejo por rebelião. Como um cara que montou um partido político e que sabe que o futuro já está nas gerações mais novas. Eu creio fortemente que a resposta precisa vir de vocês, queridos zoomers. E estou aqui para fazer por vocês o que ninguém fez para mim quando montei o MBL: oferecer estrutura, apoio, inteligência e, acima de tudo, lealdade à causa, tudo aquilo que não tivemos por parte dos mais velhos que nos sabotaram.

Sei que é ano de eleição, sei que o foco é pragmático, mas honestamente, QUE SE FODA! Há uma das grandes putarias da nossa história acontecendo debaixo do nosso nariz, estão rifando o futuro de todos nós e enquanto isso ficaremos discutindo os hipotéticos resultados eleitorais de outubro? Há muito a se fazer, muito a se alterar, e a quebra de ciclo — o tal “fim do pacto de 88” — começa a se desenhar no horizonte.

Não tenham medo, caros amigos. Para o futuro ser glorioso, o presente precisa de coragem. E o chamado, logo logo, baterá à sua porta.

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