logo valete

ORLANDO LIMA

POR QUE FAZER ACADEMIA MBL EM 2026?

NESSE MOMENTO DA HISTÓRIA, SOMOS INEVITÁVEIS

ORLANDO LIMA

25 MAR. 2026


Capa artigo

Em 1923, Vladimir Lenin escreveu: “Precisamos, acima de tudo e custe o que custar, estabelecer como nossa tarefa para renovar o aparelho de Estado: em primeiro lugar, estudar; em segundo lugar, estudar; em terceiro lugar, estudar. E, em seguida, verificar para que a ciência não seja, entre nós, uma letra morta ou uma frase da moda". Apesar do senso de urgência em nossas ações, não pode haver uma marcha histórica sem antes o estudo e a análise sobre as bases materiais e espirituais pelas quais caminharemos.

Ainda sobre Vladimir Lenin, em fevereiro de 1917 ele estava exilado na Suíça, sem contatos confiáveis na Rússia, informando-se através de jornais suíços. E tudo o que ele poderia fazer à época era estudar, estudar e estudar. E assim o fez. Boa parte de seu exílio foi caminhando entre museus e bibliotecas, o grande revolucionário do século XX, o homem que redefiniu toda a história de um século. Afinal, Eric Hobsbawm inaugura o século XX com a Revolução Russa e conclui o século XX com a queda da União Soviética em seu livro A Era dos Extremos. Esse homem estudou incansavelmente e o resultado disso é que, em outubro do mesmo ano, ele estava liderando a Revolução Bolchevique, estruturando dessa forma a sua vontade em ação política.

Nada importa mais do que a nossa formação política para impormos a nossa vontade sobre o mundo. Escrevo esse texto a partir de um momento em que somos confrontados com alguns de nossos fracassos após sucessivos sucessos. Afinal, em cada vitória guarda-se também o germe da derrota. É como se houvesse sempre um lembrete — mental, obviamente ligado à vida política. Falo especificamente sobre saídas de membros proeminentes do Movimento Brasil Livre e também do Partido Missão.

Tudo isso traz um quê de frustração. Afinal, há trabalho despendido, capital político empenhado, tempo gasto e teses que foram desenvolvidas e jamais lidas. Mas a relação é dialética: se, por um lado, toda vitória carrega uma pequena semente da derrota, a derrota também traz elementos de nossas vitórias.

Desde 2021, temos a nossa escola de formação política, a Academia MBL. Isso significa que estamos entrando no quinto ano de formação. Cinco gerações de políticos, militantes, coordenadores e pensadores. O salto qualitativo dado desde o início dessa organização se reflete exatamente pela capacidade de formarmos quadros a partir de nossas ideias. Como tudo que fazemos, parece que todo pneu é trocado com o carro andando. Isso significa que começamos a formar militantes antes de formarmos nosso pensamento. Mas, por outro lado, a partir do momento em que nosso pensamento começou a ser formulado, a régua passou para outro nível, o que significa que se tornou mais restritiva e que, assim sendo, não pode ser suportada por qualquer pessoa.

Um funil, quando se fecha, impede a passagem de todo tipo de dejeto. Observando por esse lado, é esperado — e de certa forma deve ser celebrada — toda saída que ocorra por motivos torpes. Isso significa, em última instância, que o grau de exigência para nossas organizações políticas aumenta ano após ano, mês após mês.

Não é sem razão que a Academia MBL tenha conseguido parir um partido político o mais exitoso em sua formação e o mais disruptivo em suas proposições. Não é, de certa forma, irônico que, ao mesmo tempo em que produzem um partido, acabem por correr com algumas lideranças? Sim, um movimento acompanha o outro. Há um nexo causal entre um e outro.

Por isso, a Academia de 2026 é tão essencial para a história do movimento e do partido. Primeiramente, será a primeira formação política já focada na formação de quadros para o partido político. Segundo, acompanhado do salto qualitativo, também estamos diante de um salto quantitativo de mandatos, o que significa que precisamos preparar pessoas para ocupar funções da vida pública e da vida partidária, o que nos leva à terceira função. O MBL continua sendo um movimento político de agitação e disputa civil e que, com o partido, não pode ser abandonado. Pelo contrário, deve ser fortalecido, necessitando de quadros que entendam sobre agitação e propaganda, questões essenciais para toda a disputa política a longo prazo.

Um dos grandes desafios pensados para o ano de 2026 é a formulação de novos métodos para nossos porta-vozes e candidatos. Acredito piamente que a Academia não deve pensar apenas na formação das ideias, mas também na forma como essas ideias são desenvolvidas e comunicadas. Afinal, a forma molda as ideias, assim como as ideias condicionam as formas.

Apesar de sermos o grupo político criado e desenvolvido dentro de um forte digital, não podemos aceitar a submissão do projeto político aos maus incentivos do algoritmo. Em última análise, isso significa que não podemos fazer uma grande disputa política geracional e sim que o nosso período é uma disputa de ruptura entre gerações, lideradas somente por influenciadores. O influenciador político é, por mais sofisticado que seja, uma versão do Cleitinho, que já é ele próprio uma versão de um Carlinhos Maia ou da Virgínia. Isso significa que é um entretenimento reciclado para fins eleitorais. Claro, sabemos que o entretenimento é uma necessidade da propaganda política no século XXI e tentar fugir disso pode incorrer em certos academicismos e enclausuramentos.

Entretanto, acredito que há uma diferença fundamental entre pensar o entretenimento como um gatilho para a exposição de diversas ideias melhor elaboradas e o entretenimento como um fim em si mesmo. O método de comunicação deve ser balizado através da lógica exclusivista, isto é, aquilo que nos diferencia de nossos adversários.

Se você se comunica tal e qual alguém de outra facção política do seu campo, afinal de contas, o que vai te impedir de ingressar nas fileiras mais numerosas desses adversários? Absolutamente nada. A forma com que o conteúdo político é encapsulado se entrelaça de tal modo na memética bolsonarista que, em determinados momentos, não saberemos diferenciar aquilo que somos daquilo que não somos.

Nesse exato momento da história, somos a terceira força eleitoral consolidada no país. Contudo, temos nossas particularidades que nenhum outro consegue alcançar: somos uma força formada por jovens, o que implica que somos uma vanguarda que tende a durar décadas. As facções dominantes envelheceram antes de amadurecer e, agora, caminham para seu crepúsculo.

Todo campo minoritário deve ter como condição sine qua non — isto é, a condição sem a qual não é possível existir — o entendimento sobre ser minoritário, esse autoconhecimento, essa metacognição sobre si próprio no mundo. Ainda recorrendo aos revolucionários russos, Stalin escreveu certa vez, quase uma década antes da tomada de poder bolchevique, que não conseguia compreender a estratégia dos Mencheviques, que eram brandos com os cadetes (eleitos pelo Partido Democrático Constitucional, uma força liberal dentro da Rússia czarista). Os Mencheviques diziam que apenas apoiavam as suas medidas e não os eleitos. Entretanto, como Stalin muito bem lembrou, não eram as medidas que ganhavam eleições, mas sim as pessoas. Se você se permite embrenhar pelas ideias dos seus adversários, inevitavelmente seus adversários vencerão.

E qual é o antídoto para isso? Estudar, estudar e estudar. Por isso, não há como pensar a vitória na eleição de 2026 sem pensar em como tomar o poder. E para tomarmos o poder, precisamos deter meios de ação para ocupar todos os espaços do Estado com qualidade, para que não sejamos suplantados pelos nossos adversários. O voto é difícil, mas é apenas a primeira fase. Para que as fases subsequentes não se tornem um fracasso, é necessário que a formação política seja feita de maneira competente. E a única maneira de assim acontecer é dentro da Academia MBL.


comentários32
Curtir conteúdo186
Salvar conteúdo

Participe da conversa

Efetue o login para compartilhar sua opinião.

Entrar