VALETE OFICIAL
PRESIDENTE DO PARAGUAI RENUNCIA AO CARGO APÓS COLAPSO DE BANCO
Crise financeira atingiu 3 milhões de clientes e fez Santiago Peña perder apoio do próprio partido.
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05 NOV. 2026

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou sua renúncia nesta quinta-feira (5), após perder o apoio do próprio Partido Colorado em meio à crise do Ueno Bank. O colapso da instituição deixou cerca de 3 milhões de clientes sem acesso ao dinheiro e provocou protestos, enquanto a Câmara dos Deputados discutia um pedido de impeachment.
Peña comunicou a decisão em um vídeo nas redes sociais. Disse que deixava o cargo para preservar a estabilidade do país e as instituições democráticas.
“Tomei a decisão de apresentar minha renúncia à Presidência da República”, declarou.
O presidente pediu desculpas à população e afirmou que sua prioridade era garantir a devolução dos recursos aos clientes. Não assumiu responsabilidade pelas irregularidades investigadas no banco, cuja holding teve Peña entre seus acionistas até março de 2025.
Até o anúncio, a renúncia ainda dependia da apreciação do Congresso. Se aceita, o vice-presidente Pedro Alliana assumirá o cargo para concluir o mandato, que termina em 15 de agosto de 2028.
Banco tinha US$ 850 milhões em recursos públicos
O Banco Central do Paraguai anunciou a intervenção no Ueno na terça-feira (3), com base em uma decisão tomada no dia anterior. Após revisar as contas da instituição, o órgão constatou que seu índice de solvência havia caído para menos da metade do mínimo exigido.
A fiscalização identificou empréstimos a empresas ligadas aos controladores, operações de crédito sem documentação suficiente e despesas contabilizadas como ativos sem a devida justificativa. Os ajustes revelaram que o banco não tinha capital suficiente para cumprir as exigências legais.
A suspensão dos serviços atingiu aplicativos, cartões e transferências. Clientes formaram filas e foram às ruas de Assunção cobrar a devolução dos depósitos. Funcionários também protestaram diante da incerteza sobre seus empregos.
Além dos depósitos privados, o Ueno administrava aproximadamente US$ 850 milhões de órgãos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social paraguaio.
O Banco Central iniciou os procedimentos para transferir contas e ativos viáveis a outras instituições. Nesta quinta-feira, anunciou uma primeira etapa de pagamentos para clientes com depósitos de até 10 milhões de guaranis, sem dívidas com o Ueno e com conta em outro banco ou financeira do país. A autoridade monetária sustenta que os problemas são específicos da instituição e não se estendem a todo o sistema bancário.
Vínculos com o Ueno colocaram governo sob pressão
A antiga participação de Peña na holding ligada ao Grupo Vázquez, controlador do Ueno, tornou-se um dos principais pontos de questionamento sobre a atuação do governo.
As críticas também alcançaram Carlos Carvallo, presidente do Banco Central desde 2023. Antes de assumir a fiscalização do sistema financeiro, ele havia comandado a financeira que deu origem ao Ueno Bank. Na terça-feira, Carvallo apresentou sua renúncia a pedido de Peña.
O Ministério Público abriu uma investigação criminal, e oito dirigentes atuais e antigos da instituição foram detidos. As apurações examinam a concessão de empréstimos e a movimentação de recursos.
Parlamentares da oposição apontam possíveis conflitos de interesses, falhas na supervisão e uso indevido de recursos previdenciários. A relação empresarial de Peña com o grupo é parte dos questionamentos políticos, mas as investigações ainda precisam estabelecer as responsabilidades pelas irregularidades.
Aliados passaram a apoiar o impeachment
Na quarta-feira (4), um grupo de 35 deputados apresentou uma acusação parlamentar contra Peña. A oposição ganhou força quando integrantes do Partido Colorado começaram a apoiar sua saída.
Nesta quinta-feira, o ex-presidente Horacio Cartes, líder da legenda e aliado de Peña, anunciou apoio ao impeachment. O presidente do Congresso, Basilio Núñez, também cobrou a renúncia e afirmou que acompanharia o processo de destituição caso o presidente permanecesse no cargo.
Peña anunciou a decisão enquanto os deputados discutiam o pedido, antes da conclusão do processo. A sucessão deverá manter o Partido Colorado na Presidência, com Alliana responsável por conduzir a resposta à crise e concluir o mandato iniciado em agosto de 2023.