RENAN SANTOS
A Saída de Beraldo
Breve reflexão sobre o afastamento de um amigo
RENAN SANTOS
28 NOV. 2025

Foi um dia triste. Por mais que nosso escritório estivesse fervilhando de gente por todos os lados, dos mais diversos cantos do planeta, não havia como esconder a sensação terrível de afastar um amigo.
Cristiano Beraldo pediu afastamento do MBL por conta dos desdobramentos de uma (correta) operação policial que investiga sonegação no seio de um grupo econômico ligado ao ramo dos combustíveis (Refit), responsável pela administração da refinaria de Manguinhos.
Ele foi arrolado na investigação por prestar serviços a uma refinaria americana em Houston, que parece ter relações com o grupo investigado. Eu sabia desse seu trabalho, e nunca percebi nada de errado em sua atuação. Ele sempre foi um sujeito correto e altamente exposto, denunciando adversários políticos diariamente na Pan. Não é a postura de alguém corrupto.
Checamos, antes de entrar no MBL, sua passagem pela Secretaria de Turismo do RJ. Foi absolutamente impecável em sua atuação — algo meritório quando se trata de Rio de Janeiro. Com base nisso pudemos integrá-lo, já em 2021, ao nosso time. Participou das eleições em 2022 e, a partir de 2023, passou a comentar em quadros da Jovem Pan.
Beraldo esteve próximo em momentos terríveis como o cancelamento de Arthur do Val e a expulsão de Rubinho Nunes. Ajudou a construir o partido e foi cotado para ser nosso primeiro candidato a presidente. Era certo que se elegeria para deputado-federal pela missão no ano que vem. Sua perda, nesse sentido igualada a de Bettega e Sandro Filho, revela que o alto padrão ético do nosso grupo vem com um preço. Um preço que poucos estão dispostos a pagar.
O preço político, entretanto, pouco se aproxima à dor. Beraldo é um amigo. Torço de maneira concreta que prove sua inocência para retornar ao grupo. Mas a jornada solitária que terá de percorrer para atuar no processo — algo que vivi em 2020 quando fui acusado injustamente — é algo que apenas ele poderá resolver. Ademais, é o tipo de caminhada que não poderá ser feita junto a nós. Somos, hoje, um partido. O melhor de todos. Somos a esperança de um país. Não podemos abrir o flanco para ataques de gente sórdida, tampouco normalizar aquilo que deve ser combatido.
Estaremos ao lado dos nossos e vamos defender até o fim aqueles que de coração aberto lutam por nossa causa. E afastaremos, sempre que necessário, inclusive os mais próximos. Não há vocação para Kim Paim ou família Bolsonaro em nosso grupo. Mas há tristeza — verdadeira, concreta e profundamente humana — em lidar com tudo isso.
Ontem era um dia de festa no escritório. Havia ingleses, americanos, gente de muitos estados. Havia o clima de trabalho pré-festival, com produtos chegando dos fornecedores, amigos se reencontrando e cheiro de café expresso saindo da máquina sem parar. Eu tinha que conversar com todos e fingir normalidade enquanto lidava com a triste descoberta. Tinha que conversar com ele enquanto preparava nota oficial de desligamento. É o tipo de coisa que tenho que fazer na posição que ocupo.
Manter a cabeça de pé e o compromisso firmado pela causa é algo que todos esperam da gente. E é aquilo que vamos entregar, posto que missão de vida. O caminho é só um e o exemplo cria cultura.
E é por isso que Missão dada, caros amigos — por mais difícil que seja —, tem que ser Missão cumprida.
Sempre.