VALETE OFICIAL
PF vê comitiva de advogados do Centrão na cela de Vorcaro e blinda lista com sigilo de 100 anos
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09 JUN. 2026

A Polícia Federal identificou uma movimentação intensa de cerca de 15 advogados na cela do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso na Superintendência da PF em São Paulo. Ao menos três dos defensores têm ligação direta com políticos do Centrão e dois atuaram no antigo governo do Distrito Federal. As visitas, legalmente amparadas por procurações formais assinadas por Vorcaro, passaram a incomodar os investigadores pela dificuldade em identificar o que exatamente estava sendo tratado dentro da custódia.
A percepção interna da PF era de que a cela havia se transformado em um espaço de articulação paralela. Investigadores relataram que muitos dos advogados presentes nem sequer atuavam nas negociações da delação premiada, principal justificativa que havia embasado a autorização de acesso ao preso. A suspeita era de que o espaço estivesse sendo usado para tratar de causas cíveis, patrimoniais e interesses políticos de terceiros, funcionando como um escritório informal dentro da sede da PF. A defesa de Vorcaro não se manifestou sobre as visitas.
Em resposta a um pedido da Lei de Acesso à Informação feito pelo jornal O Globo, a PF decretou sigilo de 100 anos sobre a lista completa de visitantes. A instituição alegou que nomes, horários, documentos pessoais e demais registros pertencem à esfera privada tanto dos visitantes quanto do preso, classificando as informações como dados sensíveis. Mesmo diante da possibilidade de divulgação parcial com ocultação de dados pessoais, a corporação optou por manter todo o conteúdo sob sigilo. A Gazeta do Povo também questionou a PF, mas não obteve retorno até o fechamento da reportagem.
Após o episódio, o ministro André Mendonça, do STF, restringiu o acesso ao preso. Atualmente, apenas cinco advogados estão autorizados a visitar Vorcaro regularmente, definidos nominalmente pelo ministro. As regras de visitação também foram endurecidas, equiparando as condições do ex-banqueiro às dos demais presos federais, embora ele permaneça em uma sala de Estado-Maior após reclamar das condições de uma cela comum.
As negociações da delação seguem travadas. A PF exige que Vorcaro entregue provas contra políticos e autoridades que sustentaram o esquema do Banco Master, além de admitir crimes que ele continua negando. A corporação também cobra a devolução de cerca de R$ 60 bilhões em curto prazo. Para acelerar o processo, a PF solicitou ao ministro André Mendonça que estabeleça um prazo final para a conclusão das negociações, alegando que o regime excepcional concedido ao ex-banqueiro não pode se prolongar indefinidamente.